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18/07/2008
Seicho-No-Ie tem destacada participação na celebração inter-religiosa do Centenário da Imigração Japonesa


No dia em que autoridades de várias religiões se uniram para sorrir no mesmo idioma e sentar-se lado a lado, formando uma espécie de front santo da paz, o palco do Auditório Celso Furtado, no Anhembi, pareceu maior do que o mundo.

Na tarde de 18 de junho de 2008, exatamente 100 anos depois que o primeiro navio de imigrantes japoneses atracou no cais 14 do Porto de Santos, uma celebração inter-religiosa marcou as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa, no Parque do Anhembi, em São Paulo.

A reverência estava no ar. O tema do encontro sugeria isso por si mesmo: “Paz Mundial e Meio Ambiente”. Por força do tempo em que vivemos, o assunto ganha cada vez mais espaço nas pregações da maioria das religiões, que, em uníssono, decidiram somar esforços pela causa por ocasião do
centenário.

Religiões dão vez e voz à natureza – Da platéia, um seleto público assistiu à cerimônia simples, mas rica em significados. No palco, representantes da Pastoral Nipo-Brasileira, da Igreja Toho no Hikari do Brasil, da Federação Evangélica, da Perfect Liberty, da Igreja Evangélica Holiness do Brasil e da Federação das Escolas Budistas do Brasil. Representou a SEICHO-NO-IE DO BRASIL o preletor da Sede Internacional Olimpio Kitahahara, que, além de ler a mensagem em nome da própria organização, efetuou, ao final, o pronunciamento oficial da celebração em nome de todas as religiões (leia a íntegra do texto nesta matéria).

Peça teatral retrata heranças da bomba atômica – Antes da celebração, um elenco de mais de 70 crianças e adolescentes encenou a peça Sadako e os Mil Pássaros de Papel, que conta a comovente e real história da menina que perdeu a vida aos 12 anos de idade, vítima da leucemia deixada de herança pela bomba.

Dentro do espetáculo, com um chocante realismo, imagens retrataram o momento em que a Bomba H foi jogada sobre Hiroshima. Tinha-se a impressão de que a humanidade retirava a “maquiagem” diante dos olhos de todos os presentes. No final da apresentação, um texto lido por uma jovem, àslágrimas, lavou a alma de todos com uma solidariedade viva. O ambiente impregnara- se de reflexão. O clima para a celebração religiosa ficou perfeito.

A cerimônia – O palco agigantou-se. De repente pareceu maior do que o próprio Anhembi. Não se viam apenas pregadores. Era especialmente tocante o fato de que homens de bem estavam ali para que a humanidade possa viver. Uma por uma, as autoridades foram anunciadas, subiram ao palco e depositaram flores numa enorme mesa que serviu de altar comum.

Sucinto, um a um dos representantes religiosos deu sua mensagem. Em suma, todos evocaram a figura do cidadão comum como responsável pela paz mundial e pelo desenvolvimento sustentável, sob as premissas universais do amor ao próximo e do cumprimento da vontade de Deus. Na sua vez, o prof. Olimpio Kitahara citou os pilares doutrinários sobre os quais a Seicho-No-Ie atua em escala planetária. Chamava a atenção o silêncio do ambiente ao redor das falas de cada um.

No final do evento foi lida a mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Japão. A seguir, foi oficializada a entrega de um documento, assinado pelos representantes religiosos presentes, solicitando que esse mesmo encontro passe a ocorrer periodicamente.

Marcaram presença o Presidente Doutrinário para a América Latina, prof. Yoshio Mukai, e a Diretora-Presidente da SEICHO-NO-IE DO BRASIL, profa Marie Murakami. Também prestigiaram a cerimônia vários colaboradores da Sede Central da SEICHO-NO-IE DO BRASIL, entre eles o prof. Iasusuke Murakami.

Texto do prof. Kitahara foi o escolhido pelos representantes de todas as religiões – Instantes antes de iniciar o evento, na sala reservada aos representantes das religiões participantes, era possível observar uma cordial conversa, num clima típico de roda de amigos. Não à toa, o mais entrosado era o prof. Olimpio Kitahara, que teve o texto, de sua autoria, escolhido por consenso para ser lido ao final da celebração, avaliado pelo grupo como o mais completo.

Como uma das entidades que mais apoiaram a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa, em todos os sentidos, a SEICHO-NO- IE DO BRASIL cumpriu com requinte seu papel de “fiel da balança”, visto que, entre todas as denominações, é a que levanta bem alto a bandeira do não-sectarismo religioso. Confira abaixo o texto escrito e lido pelo prof. Olimpio Kitahara, representando todas as religiões presentes.

“Paz e Meio Ambiente”

O Brasil é um exemplo para o mundo, um lugar onde os povos de todas as nações vivem em perfeita harmonia, convivendo pacificamente. É, ao mesmo tempo, o país que possui a maior fonte de oxigênio do mundo, a floresta amazônica. Por isso e por muito mais, é o desejo de todos nós, religiosos do mundo nikkei no Brasil, que este país seja não só o mediador, o promotor da paz no mundo, mas também o exemplo da perfeita integração e harmonização com a natureza.

Jesus Cristo ensinou que “é preciso nascer de novo para ver o reino de Deus”. Nascer de novo significa renascer em espírito, ver a matéria não como simples matéria, mas como manifestação da Vida de Deus, como expressão do amor de Deus. Assim, o ar que respiramos não será simplesmente um composto de oxigênio e nitrogênio e o alimento que ingerimos não será também uma simples matéria, pois estamos envoltos por tudo quanto é testemunho da Vida e do amor de Deus. E, nessa visão do homem renascido em espírito, não haverá mais o homem carnal feito do pó da terra, mas o homem feito à imagem e semelhança de Deus.

A montanha, o rio, a árvore, todos os seres vivos, tudo é automanifestação da Grande Vida. Toda natureza respira, e o ar expirado pelo globo terrestre é a energia espiritual do solo, graças à qual a vida existe e recebemos vida e saúde, com o equilíbrio que leva o indivíduo, a família, cada país e o mundo ao reino da paz. Tudo no Universo é movimento, como a vida, que tem a missão de construir a cultura da paz.

Quando assim encaramos o mundo ao nosso redor, tudo se torna iluminado, tudo se mostra abençoado e em perfeita paz, e, nessa circunstância, não conseguimos deixar de reverenciar cada elemento da natureza, cada utensílio do cotidiano, pois tudo se torna a automanifestação da Vida de Deus, do amor de Deus. A paz é um sonho da humanidade, que pode ser realizado. Caminhemos juntos, fraternos e solidários, em comunhão com a Grande Vida, absorvendo a cada passo a energia espiritual da natureza, compartilhando- a com amor e tolerância.

E assim a humanidade viverá a realidade da PAZ.

 


Circulo de Harmonia