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22/04/2008
Educação na Escola


Chama interior

“Fazer com que as pessoas avivem sua ‘chama interior’, ou seja, tomem consciência de sua poderosa força vital – essa é a missão do educador”, assim diz o mestre Masaharu Taniguchi, no volume 25 da obra A Verdade da Vida, capítulo 6.

Essa chama interior a que o Mestre se refere é a natureza divina, a potencialidade infinita que já existe dentro de todos os seres humanos. Pais e profissionais da Educação têm esta grandiosa missão: fazer com que crianças e jovens tomem consciência dessa força infinita, alojada dentro de si, e revertam essa conscientização em motivação para estudar e desenhar um grandioso projeto de vida.
Há várias maneiras de avivar essa chama: desde uma repreensão dada com amor, até argumentações racionais que levem o educando a perceber que ele é capaz de construir um futuro maravilhoso para si, adquirindo autoconfiança e passando a estudar com entusiasmo. Isso depende da força da palavra positiva empregada pelo educador.

Numa pesquisa feita com alunos de sua classe, o prof. Kurihara constatou que o desempenho escolar deles melhorou quando adquiriram autoconfiança ao começarem a estudar primeiro as matérias mais fáceis; e, como foi aumentando cada vez mais a capacidade de assimilá-las, passaram a se interessar pelas demais, incentivados pelas palavras firmes do professor. Somente um aluno disse que começou a estudar com afinco quando lhe disseram que ele deveria abrir seu próprio caminho na vida porque não iria herdar os negócios do pai. 

De onde vem a tal da motivação?

Uma das principais queixas dos professores é a de que os alunos estão cada vez mais desinteressados pelos estudos.

O prof. Luiz Carlos de Menezes, físico e educador da Universidade de São Paulo, em seu artigo na revista Nova Escola de novembro/2007, diz que “Desenvolver o desejo de aprender é a mais importante função da escola. Portanto, a falta de motivação é problema dela”. Ele diz que há alunos que não se identificam com os assuntos estudados, e os que não vêem expectativa de sucesso no aprendizado. A solução seria que a escola revisse seu projeto pedagógico, fazendo com que haja uma coerência entre as disciplinas estudadas e os valores da comunidade, e abrissem mais espaço aos jovens, para que sejam protagonistas do diálogo intercultural.

Como surge o interesse pelos estudos?

Como fazer isso? Como despertar o interesse pelos estudos nas crianças e nos jovens, numa época em que o divertimento e o prazer físico são estimulados a todo momento pelas propagandas, pelos meios de comunicação e pelas pessoas do seu convívio?

O mestre Masaharu Taniguchi nos alerta: “É preciso saber que despertar o interesse dos alunos não é questão apenas didática. Na verdade, trata-se de questão fundamental da educação do ser humano. (...) Quando alguém se torna fonte inesgotável de interesse pelos estudos e descobertas, todas as matérias ficam-lhe fáceis de assimilar”.

Como o mestre Taniguchi, o prof. Menezes também diz que toda criança é curiosa por natureza, deseja conhecer tudo e saber como as coisas funcionam.

Então, que é que faz com que muitas delas percam esse interesse e se tornem apáticas? Muitas vezes, são os próprios educadores que passam para elas a idéia de que estudar é maçante; que muitas pessoas nunca estudaram mas enriqueceram; que pode ser que estejam estudando algo que no futuro não tenha valia; que o divertimento é mais importante; enfim, conceitos alicerçados na matéria. Na maioria das vezes, essas idéias são transmitidas sem que o educador se dê conta disso. Por isso, a Educação da Vida diz que a prática educativa requer a educação integral do próprio educador.

Estado de ilusão

Os projetos pedagógicos atuais estão evoluindo no sentido de evitar as “decorebas” sem sentido. Muitos estão seriamente preocupados com a educação integral dos estudantes (educação para a vida), e não somente em estimular o acúmulo de conhecimentos. Isso é um avanço. A grande maioria, no entanto, mesmo tendo essas intenções, está visando ao êxito profissional e financeiro futuro dos estudantes. Orienta-os a estudar com objetivos de passar no exame vestibular, escolher profissões que vão lhes render dinheiro, transmitindo, assim, a idéia de que com isso serão felizes. Esse é um conceito alicerçado no materialismo, que não traz felicidade.

Todos os males e infelicidades aparecem quando não se tem a conscientização de que o ser humano é filho de Deus, dotado de potencialidade infinita. “Não ter consciência da natureza divina de si mesmo constitui ‘estado de ilusão’. Quando o estado de ilusão se manifesta no corpo, ocorre a doença; quando o estado de ilusão se manifesta no desempenho escolar, ocorre o baixo aproveitamento nos estudos; quando o estado de ilusão se manifesta em outras áreas, tais como situação econômica, circunstância de vida, etc., ocorrem a pobreza e o infortúnio”.

Educadores, vamos educar, educando-nos! O que faz com que a vida do homem seja radiosa e cheia de entusiasmo pelos estudos, pelo trabalho e pelo convívio harmonioso com todas as pessoas e coisas, é a educação transcendental, que desperta para esta Verdade: todo ser humano é filho de Deus.
SEICHO-NO-IE DO BRASIL

Bibliografia:
TANIGUCHI, Masaharu – (A Verdade da Vida, vol. 25, 3ª edição, capítulo 6)
MENEZES, Luiz Carlos de (Nova Escola, nov/2007)