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25/03/2008
Surgimento da SEICHO-NO-IE


Meu marido formou um grupo denominado: Grupo de Pessoas em Busca da Verdade.

Freqüentemente, reuniam-se em nossa casa várias pessoas em busca da fé religiosa e discutiam o assunto num agradável ambiente de confraternização. Contudo, isso parecia insuficiente para satisfazer os anseios de meu marido. Ele me dizia:

– Meu sonho é difundir para o mundo a Verdade em que acredito e com isso proporcionar felicidade ao maior número possível de pessoas. Se não conseguir realizar este ideal, minha vida não terá sentido. Considero vazia a vida que consiste em trabalhar para uma empresa unicamente para obter o próprio sustento.

– Também penso assim – eu concordava – Farei o possível para reduzir as despesas de casa e vou economizar dinheiro. Tão logo tivermos ajuntado quantia suficiente, você vai publicar a revista.

Não podíamos prever quando esse dia chegaria, mas passamos a levar uma vida simples. (...) Assim íamos vivendo, à espera do dia em que teríamos condições de publicar revista mensal de boa qualidade. Mas, infelizmente, a nossa casa foi roubada duas vezes. (...) Foi naquele momento difícil, que parecia tudo perdido, que surgiu na mente de meu marido, como um lampejo, a seguinte inspiração divina: “Levante-se! O momento é agora!” “Resoluto, meu marido começou a redigir freneticamente. Começamos a pensar na possibilidade de mudar de casa. Após meu marido sair para o trabalho e minha filha Emiko ir para o jardim-de-infância, eu andava pela cidade à procura de uma casa adequada para alugar. A cerca de dois quarteirões de onde morávamos, achei uma casa com a placa: “Aluga-se”. Empurrei o portão e entrei no jardim. Em frente ao quarto do piso térreo havia um pé de glicínia. Nessa casa havia bastante distância entre o portão e a casa, e nesse espaço eu poderia plantar flores. Essa idéia me deixou muito feliz. Quando levei meu marido para ver a casa, tanto ele quanto nossa filha gostaram da casa e concordaram em alugá-la. Nós costumávamos chamá-la de “casa das glicínias”. Foi ali que se originou a Seicho-No-Ie.

O primeiro número da revista Seicho-No-Ie foi lançado após nossa mudança para a “casa das glicínias”. Foi no dia 1º de março. Meu marido e eu procuramos na lista de endereços os nomes das pessoas a quem poderíamos enviar a revista e começamos a providenciar a remessa. Sentíamos o coração palpitar de expectativa. Meu marido enviou a revista aos amigos e conhecidos. Eu examinei a lista das formandas do colégio feminino onde estudei, e enviei a revista para as ex-colegas que se interessariam em assuntos religiosos. Naturalmente, a revista era gratuita. Mas algumas das pessoas que receberam a revista remeteram-nos dinheiro. Continuamos enviando a revista tanto para os que remetiam dinheiro, como para os outros, pois não agíamos por interesse. Algumas pessoas pediram-nos para continuar remetendo a revista durante meio ano, outras pediram para suspender a remessa. Porém com o passar dos meses, aumentava cada vez mais o número de pessoas que nos escreviam expressando alegria e agradecimento. Com entusiasmo redobrado, dedicávamo-nos ao trabalho.

Durante o dia, meu marido trabalhava na empresa para obter dinheiro para nosso sustento, e à noite, após o jantar, sentava-se diante da escrivaninha e começava a escrever. Então, subitamente brotava nele a infinita força vital e a caneta em sua mão começava a deslizar sobre o papel, com grande rapidez, ele se dedicava até tarde a um trabalho que visava ao bem da humanidade. Creio que a obra em prol da humanidade proporciona mais alegria à alma do que o trabalho para obter o sustento.

Os raios do sol da primavera bailavam sobre o telhado de palhas espessas e projetavam-se sobre os cachos de glicínia do caramanchão. Dentro do velho carrinho de bebê, eu empilhava exemplares da revista Seicho-No-Ie e estava prestes a sair, vestindo um avental branco, para despachá-los pelo correio. Nossa pequena filha tentava empurrar também o carrinho.

– Como a glicínia está linda!

Ao ouvir a minha voz, meu marido abriu a porta do escritório:

– Obrigado pelo trabalho, “mamãe”. Você também vai filhinha?

– Papai, na volta, virei dentro do carrinho! É tão divertido! – soou a voz vibrante, cheia de vida, de nossa filha.

– Tome conta da casa querido! – disse eu.

Fazia apenas cinco meses que a revista tinha sido lançada; mas, a cada mês, aumentava a tiragem e, conseqüentemente, o peso da carga do carrinho, o que me alegrava muito. Finalmente a primavera chegara na vida da pequena família. Eu estava com 35 anos de idade.

Depois de enfrentar muitas dificuldades, estávamos chegando finalmente à terra da esperança. Quando nossa filha nasceu, nós ainda não havíamos encontrado Deus verdadeiro. Como reflexo disso, a criança nascera frágil e causara-nos muita preocupação. Mas, finalmente, passou a reinar em nosso lar a eterna primavera.

Havíamos empreendido uma longa caminhada, buscando Deus no mundo exterior, e O encontramos dentro de nós! Finalmente, compreendemos que Deus estava em toda parte, inclusive dentro de nós mesmos, pronto para nos acolher de braços abertos, sorrindo. Compreendemos que existia unicamente o bem. Que todos éramos filhos de Deus, perfeitos, que eu vivia em Deus e Deus vivia em mim. Quando compreendi que tudo que era captado pelos sentidos físicos não existia de verdade, desapareceu a tristeza. A partir do momento em que descobri Deus dentro de mim, nenhuma infelicidade conseguiu me atingir. Minha alma sentiu-se plena e meu corpo esqueceu a doença. O futuro se descortinava radioso para nós.

Acordávamos ao alvorecer. Após a oração, meu marido começava a escrever. Depois, saía para cumprir o expediente na firma onde trabalhava. Eu executava todas as tarefas domésticas, e além disso, cuidava da revisão dos textos impressos, da escrita contábil, da correspondência, e da expedição das revistas. E ainda arranjava tempo para plantar verduras na horta e flores no jardim. Minhas mãos estavam ásperas, mas minha alma vibrava de satisfação.

As flores embelezavam e perfumavam o jardim praticamente o ano todo, e os tomates e outros legumes amadureciam na horta.

(Editado do livro Reverenciando-o como Mestre, Respeitando-o como Marido)