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22/01/2008
Tenha Bons Amigos


Mesmo uma pessoa dotada de grande talento não conseguirá realizar sozinho uma grande obra. Por exemplo, um artista talentoso também precisa do apoio de um grupo de amigos e simpatizantes que compreendam sua arte. Os literatos como Mushanokōji Saneatsu, Satomi Ton, Nagayo Yoshiro, Arishima Takeo, Yanagi Muneyoshi e outros tiveram suas obras aceitas e bastante elogiadas pelo público e se tornaram intelectuais consagrados porque pertenciam a um grupo da corrente literária Shirakaba, cujos membros procuravam sempre compreender os trabalhos dos colegas, elogiá-los e incentivá-los. Eles estavam unidos pelo amor e elogiavam uns aos outros os pontos positivos das respectivas obras artísticas.

Somente quem ama consegue descobrir os pontos positivos do outro. Descobrir é “fazer surgir concretamente”. Portanto, somente aquele que tem afeto sincero pelo amigo consegue fazer surgir concretamente os pontos positivos dele. Num mundo em que ninguém se importa com ninguém, e as pessoas não se amam nem se elogiam mutuamente, não se desenvolvem as qualidades nem surge a felicidade. Para poder desenvolver as qualidades e alcançar a felicidade, as pessoas precisam formar grupos de bons amigos.

Se alguém não consegue ter amigos, é porque tem a postura mental errada: espera que os outros o amem e lhe proporcionem algo bom, mas ele próprio não toma a iniciativa de fazer algo bom para os outros, de expressar o afeto, e pensa que somente quando os outros tomarem a iniciativa deve procurar corresponder à demonstração de amizade. Permanecendo nessa atitude passiva, sem tomar nenhuma iniciativa, não conseguirá criar algo valioso nesta vida nem concretizar a própria felicidade.

Somente quem ama é amado, somente quem se doa merece doação, somente quem cria algo valioso pode desfrutar coisas boas e preciosas. Se você deseja receber amor, deve tomar a iniciativa de cultivar o amor. Antes de mais nada, precisa se tornar uma pessoa cativante. O amor é uma grande força que cativa e magnetiza. Aquele que é capaz de amar intensamente a humanidade torna-se alvo de amor fervoroso da multidão. Se você concentrar sua atenção em alguém e expressar-lhe seu afeto sincero, com certeza ele se tornará um bom amigo e um excelente colaborador.

Se você quer ser amado, tome a iniciativa de amar. Talvez você tenha passado pela experiência de amar alguém e não ser correspondido. Nesse caso, embora você pensasse amar essa pessoa, não a amava de verdade. Você buscava algo em troca do amor. Expressar amor com o objetivo de obter algo em troca – isso é o que as meretrizes fazem. Obviamente, não é o amor verdadeiro. Somente quem ama de verdade pode receber o amor verdadeiro, que é generoso, desprendido e não exige retribuição.

Ame a humanidade sem esperar recompensa. Aqueles que pensam em sabotar a produção não amam a humanidade. Se você ama os trabalhadores, eles se aliarão a você, se tornarão seus amigos. Mas se você fechar-lhes as portas, eles também criarão barreiras. Para obter amigos, você próprio deve oferecer amizade aos outros, deve dedicar-lhes amor sincero, sem esperar recompensas.

Você já deve ter compreendido que o amor se obtém com o amor – e que o amor é uma grande força magnética. Agora, eu lhe pergunto: Ao amar alguém, o que você ama nessa pessoa? O talento? Os traços fisionômicos? A boa apresentação? A habilidade no trato social? A expressividade? O porte elegante? A bela voz? Qualquer que seja o ponto que você admire nessa pessoa, isso não significa que a ama de verdade. As partes manifestadas não retratam o todo, não representam o Eu verdadeiro da pessoa.

Suponhamos que a pessoa amada sofra um acidente grave e fique com o rosto deformado. Se você amava a bela aparência dessa pessoa, provavelmente você deixará de amá-la. Se você amava o talento dessa pessoa, deixará de amá-la ao perceber que, em conseqüência do acidente, ela já não consegue manifestar o talento. Entretanto, nem a aparência nem o talento são a “pessoa em si”, ou seja, a essência do seu ser. Mesmo que a pessoa se torne feia, mesmo que o seu talento seja arruinado, a sua essência não muda. Seu amor se mantém imutável mesmo que a pessoa sofra transformações, seja no aspecto físico ou na capacidade intelectual? Reflita, faça um exame crítico dos seus próprios sentimentos. Se você não consegue ter bons amigos, analise a própria atitude mental. Provavelmente, é porque você não toma a iniciativa de “criar” bons amigos. Em última análise, passa a ser nosso somente o que nós próprios criamos.

Se você deseja sinceramente fazer amizade com alguém, dedique-lhe o afeto genuíno. A pessoa acolherá o seu afeto e se tornará um bom amigo.

Não se limite a amar somente o aspecto exterior do outro, admirando-lhe os traços fisionômicos, o visual, a conduta, a postura, o talento, a riqueza, a posição social etc. Ame-o pelo que constitui a sua verdadeira essência: a sua natureza espiritual, a sua natureza divina, o seu Eu verdadeiro de filho de Deus. Não importa a aparência da pessoa, não importa que ela tenha talento limitado, seja pobre e de posição inferior, não importam a sua voz e a sua postura, se você contemplar-lhe a Imagem Verdadeira, conseguirá sentir amor por ela. Você seria capaz de agir como a imperatriz Kōmyō, que cuidou dos leprosos com amor e carinho? Por mais repulsivo que seja o aspecto fenomênico de alguém, devemos ver com os olhos da alma a sua natureza espiritual divina – ou “natureza búdica”, na linguagem do budismo – e contemplar com respeito e amor esse aspecto verdadeiro. Contemplar é fazer surgir. Por isso, quando a imperatriz Kōmyō transcendeu o aspecto fenomênico repulsivo de um leproso e lavou as feridas repugnantes das suas costas, contemplando a natureza búdica dele, o paciente assumiu a forma de Ashuku Nyorai, uma das manifestações de Buda. Agir como a imperatriz Kōmyō, que contemplava a Imagem Verdadeira de todas as pessoas e reconhecia-lhes a natureza divina – ou búdica – é praticar a verdadeira democracia.

Somente quem ama de verdade é amado. Somente quem ama consegue vivenciar a felicidade de amar e ser amado. Não é possível alcançar a felicidade coagindo e pressionando os outros, pois tal conduta é contrária ao amor. É possível conseguir o que se deseja usando a força coercitiva e exercendo pressão, mas isso atenta contra o amor, e não se consegue a verdadeira felicidade por meio de atos que não se fundamentam no amor. O prazer que se consegue derrotando os outros ou exercendo-lhes pressão é uma espécie de prazer sádico, e não um sentimento humano. Somente o amor atrai o amor, somente o amor traz a felicidade serena e tranqüila.

Do livro Kofuku Seikatsuron (ainda não editado em português; tít. prov.: Teoria sobre a Vida Feliz), pp. 15-20

 


Revista Fonte de Luz - Fevereiro / 2008