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11/01/2007
Em busca do Verdadeiro Deus


Na revista Hikari no Izumi de julho deste ano (2004), escrevi sobre as circunstâncias da “vida de prisioneiro” do sr. Shohei Ôka, citando trechos do livro Horyo-ki (Memórias de um Prisioneiro), de sua autoria. São fatos que ocorreram em 1945, às vésperas do término da Guerra do Pacífico. Certo dia, o sr. Oka foi cercado por soldados norte-americanos e, estando com febre muito alta por causa da malária, não conseguia locomover-se. Mas, mesmo nesse momento, ele pensou: “Não atirarei contra o inimigo”. A respeito disso, ele escreve o seguinte: “Se pensei naquele momento que não atiraria contra o inimigo, significa que ouvi a voz de Deus e, quando o soldado norte-americano aproximou-se de mim e tive de tomar a decisão de seguir ou não essa voz, ouvi um tiro vindo de outra direção que fez com que o soldado corresse para aquele lado. Penso que isso foi uma providência divina”. (p. 99) Quanto ao motivo que o fez pensar assim, cita o que sentiu quando tinha 13 anos e era aluno de uma escola cristã: “Fiquei comovido com as verdades contidas na Bíblia e passei a ter fé em Deus. (Talvez acreditava que tinha fé.) A minha fé era tão frágil, a ponto de desmoronar quando conheci o egoísmo literário da atualidade e ao ver atos abomináveis dos adultos. Mas o fato de, no momento da partida para uma nova vida, sentir atração por Deus, certamente estava sendo definida a tendência fundamental da minha mente. Mas, após isso, passei a me rebelar cada vez mais contra Deus, e preocupava-me sempre com isso, achando que era uma espécie de ponto fraco meu”. (p. 100) Igrejas e entidades religiosas são organismos do mundo fenomênico e, portanto, contêm partes imperfeitas. E esse tipo de fenômeno é constante “neste mundo” porque o mundo perfeito e harmonioso é denominado Mundo da Realidade ou Imagem Verdadeira, e também porque o Reino de Deus não pertence a este mundo. Entretanto, o sr. Ôka escreve: “Naquele momento pensei em atirar implacavelmente contra o inimigo, mas tomei repentinamente a decisão de não atirar, e isso pode ter alguma relação com a minha índole, de quem se sentiu atraído por Deus no início da vida”. (p. 100) Se naquele momento ele tivesse atirado, certamente teria sido morto pelos numerosos soldados norte-americanos que o circundavam, e não teria se tornado prisioneiro. Assim, foi depois hospitalizado e, no hospital do Exército norte-americano, tomou emprestada uma Bíblia de um pastor e leu o Evangelho, observando a reação da sua mente. Com essa leitura, ele reconheceu que no caráter de Jesus havia o poder e a genialidade próprios de um filho de Deus, mas diz: “Fiquei surpreso ao ver que o pensamento dele (Jesus) estava trespassado pela bárbara expectativa de fim do mundo. Como será que eu encarava esse barbarismo quando tinha 13 anos? Não me lembro de nada. E a doutrina do amor, que no passado parecia ter impregnado a minha mente, hoje somente me impressiona como uma expressão genial e suprema. A couraça que minha mente vestiu foi bastante grossa”. A verdadeira fé Podemos afirmar que é muito importante ter contato com alguma religião na juventude e ter fé em Deus, pois isso define a vida ou a morte nos diversos momentos da vida futura. Entretanto, essa religião e Deus ou Buda deverão ser verdadeiros. Se alguém acreditar num deus falso e considerar algum homem carnal como se fosse o próprio Deus absoluto, cometerá um erro muito grave, confundindo a Imagem Verdadeira com a imagem fenomênica. Assim, poderá gerar uma confusão como a da seita Aum Shinrikyo. Isto porque no Reino de Deus não existe morte, conflitos nem guerras. Portanto, se o homem é originariamente filho de Deus, uma parcela da “força infinita” desse filho de Deus se manifestará de alguma forma também neste mundo fenomênico. Mas essa manifestação muda de acordo com o nosso pensamento e as nossas palavras. Principalmente o poder da palavra é muito grandioso, pois a guerra e a paz se iniciam e terminam por meio de palavras. Por exemplo, o sr. Ôka tornou-se prisioneiro do Exército norte-americano e conta o seguinte fato que testemunhou (Horyo-ki, pp. 89-90). Ele diz que um jovem prisioneiro, que estava deitado num leito ao lado, sofria de beribéri e não conseguia se levantar. Permanecia deitado o tempo todo e dependia dos cuidados de um paciente que estava próximo a ele para se alimentar e também para todas as outras necessidades. Ele vivia sorrindo. Sorria também quando o médico do Exército o examinava. “Naturalmente era um sorriso de gratidão, mas era um modo de sorrir que denotava desejo de ser mimado, um sorriso de humilhação e, por fim, um sorriso de desprezo.” Dentre os japoneses, há pessoas que sorriem desse modo. Seria um sorriso de adulação. Além de tudo, o paciente tomava as refeições lentamente, demorando longo tempo. Justificava isso dizendo que “demorava por não conseguir sentar-se”, mas isso causava grandes transtornos aos outros pacientes, pois eram eles que tinham de fazer a arrumação após as refeições. Entretanto, certo dia, um soldado nissei do Exército norte-americano, que era intérprete, ordenou-lhe repentinamente “Levante-se!”. O médico militar olhou o rosto do intérprete nissei com ar de estranheza. O paciente prisioneiro esboçou novamente um sorriso de escárnio. O nissei disse-lhe: “Não seja um velhaco!”. Desde então, esse prisioneiro passou a tomar as refeições sentado. Isso pode ser considerado verdadeiramente uma força da palavra. Desse modo, mesmo sendo prisioneiros do Exército norte-americano, podem, nas circunstâncias que forem colocados, aprender preciosas lições através de diversas experiências. Confissão E, mais antigamente, Tolstói, o grande literato russo, um famoso escritor que escreveu longos romances como Guerra e Paz, nasceu no dia 28 de agosto de 1828 e faleceu no dia 20 de novembro de 1910, aos 82 anos. Foram editadas mais de 16 diferentes categorias de coletâneas de suas obras, e, outrora, a editora Shinchô-sha publicou até uma revista especializada denominada Tolstói Kenkyu (Pesquisas sobre Tolstói). Uma das obras de Tostói é Minha Confissão e nela consta a história do seu período infantil e juvenil. Na “Introdução”, consta o seguinte: “Recebi o batismo na Igreja Cristã Ortodoxa e fui criado segundo essa fé. A fé cristã foi incutida em mim desde o período infantil, passando pelo período juvenil até a mocidade. Mas, na época em que, aos 18 anos, abandonei a faculdade na segunda série, deixei de acreditar em tudo que me foi incutido até então. “Segundo algumas lembranças, ainda não havia abraçado uma fé com real seriedade, apenas me limitando a confiar vagamente nas coisas que pessoas mais velhas me diziam. Entretanto, essa confiança vacilava com muita facilidade. (continua)”. Desse modo, é freqüente uma fé incutida na infância ser esquecida ou deixada de ser levada a sério na mocidade. Mas essa fé permanecerá oculta nas profundezas da mente e, um dia, em algum lugar da longa jornada da vida, se manifestará de diferentes formas. Assim, essa mentalidade mudará e “corrigirá” o “destino” do mundo fenomênico que é criado pela mente. E isso foi insinuado pelo exemplo do sr. Ôka. E, na obra Minha Confissão de Tolstói, consta: “Lembro-me de que, na época em que tinha 12 a 13 anos, um colega do curso ginasial, hoje falecido, me procurou num domingo e me comunicou uma notícia de uma nova descoberta efetuada na escola. Era a descoberta de que Deus não existe, de que tudo que nos ensinavam sobre Ele não passava de invenção. (Isso ocorreu em 1838.) Meus irmãos ficaram grandemente interessados nessa notícia e fizeram com que eu participasse dos debates sobre o assunto. Com isso, ficávamos bastante animados e encaramos essa notícia como algo extremamente interessante e lógico. “E, além disso, meu irmão Demétrio, universitário na época, levado pelo seu temperamento facilmente influenciável, entregou-se repentinamente à fé, passando a freqüentar assiduamente a igreja, a guardar restrições alimentares e a levar uma vida moralmente pura e imaculada. Lembro-me de que, por isso, todos nós, incluindo o pessoal mais velho, o tratamos com desdém e, não sei por que razão, colocamos-lhe o apelido de ‘Noé’. E lembro-me também do fato ocorrido quando o encarregado dos alunos da Faculdade Kazan daquela época nos convidou para um baile e disse em tom de brincadeira ao meu irmão, que recusou o convite, que até mesmo David dançou diante do sagrado esquife. Naquela época, eu concordava com as pilhérias dos mais velhos e chegava à conclusão de que, embora seja necessário aprender questões doutrinárias e freqüentar a igreja, não havia necessidade de pensar sobre essas questões com muita seriedade”. Que é a fé verdadeira? Encontramos também freqüentemente nos jovens de hoje esse tipo de fenômeno relacionado com a religião, mas há quem desperte para a fé verdadeira e quem caçoe daqueles que passam a ter fé. Mas, também entre as pessoas religiosas, há aquelas que professam apenas formalmente, e a sua “imaturidade” torna-se causa de troças e aversões, havendo necessidade de fazerem uma reflexão. Entretanto, em última análise, aqueles que professam a fé verdadeira, obterão bons frutos, serão agraciados pela boa sorte e passarão a revelar capacidade genial. Por outro lado, se na doutrina e nos rituais de uma religião houverem pontos errôneos ou dogmáticos, poderão afastar as pessoas. Por exemplo, Tolstói escreveu sobre o fato ocorrido com seu amigo S, quando este orou de joelhos e o irmão mais velho perguntou-lhe “Você ainda continua fazendo isso?”. A partir desse dia, os dois irmãos não se falaram mais, S nunca mais orou de joelhos e deixou de freqüentar a igreja durante 30 anos. E Tolstói explica a causa disso do seguinte modo: “Não foi por que ele concordou com o irmão ao saber da sua convicção, nem porque ele próprio conseguiu resolver algo em seu interior. Apenas as palavras pronunciadas pelo seu irmão mais velho exerceram a função de um dedo que deu um empurrão na parede que estava prestes a cair, devido ao seu próprio peso. Em suma, essas palavras pronunciadas pelo irmão mais velho simplesmente demonstraram que aquilo que S considerava manifestação da sua fé, já havia se tornado, há muito tempo, mera formalidade. E que o sinal da cruz, a postura que ele tomava para orar, e as palavras que ele pronunciava já não tinham nenhum significado. E, ao se conscientizar desse fato, não conseguiu mais continuar freqüentando a igreja. “Isso já ocorreu com a maioria das pessoas, como também continua ocorrendo. Estou-me referindo às pessoas que possuem o nosso nível cultural e às que são sinceras consigo mesmas, e não em relação às que fazem da vivência da fé um meio para alcançar um objetivo temporário. (Exatamente tais pessoas é que são autênticas falsas fiéis, porque, se a fé significar para elas um meio para alcançar algum objetivo secular, já não será, em absoluto, uma fé verdadeira.) (...)” (pp. 7-8) Aqui, Tolstói afirma que uma fé que é usada como meio momentâneo para atingir algum objetivo secular “não é, em absoluto, uma fé verdadeira”, e isso é um argumento sólido, assim como consta na seguinte Revelação Divina: “Aquele que, com a mente sujeita à mudança das condições materiais, aumenta a fé quando os bens materiais aumentam e perde a fé quando eles diminuem, ou louva a Deus quando o corpo se torna saudável e descrê dEle quando alguém da família adoece, está acreditando na matéria, e não em Deus. A matéria é algo que acaba se alterando; portanto, a fé embasada em graças materiais se desmorona conforme as alterações da matéria”. A fé que conduz à “perfeição” E, continuando, ele diz: (pp. 9-9) “Assim como acontece com outras pessoas, a crença religiosa a mim transmitida desde a minha infância, havia desaparecido da minha mente. Mas, a partir dos meus 15 anos, comecei a me absorver na leitura de obras filosóficas e, por isso, me conscientizei desde cedo dessa desvinculação com a fé. A diferença encontra-se apenas nesse ponto. Não orei mais de joelhos desde os 16 anos. Já não acreditava naquilo que foi-me ensinado e transmitido desde a minha infância. Aliás, ainda acreditava em algo, mas, se me perguntassem em que, não conseguia responder. Acreditava em Deus, ou melhor, não O negava. Certamente não conseguia afirmar que Deus era esse. E não negava Cristo nem seus ensinamentos. Entretanto, não conseguia também dizer claramente onde se encontrava o fundamento desses ensinamentos. “Relembrando agora os fatos daquela época, reconheço claramente que a minha fé – aquilo que estava movendo a minha vida além dos instintos animais, ou seja, a minha única fé verdadeira daquela época – estava relacionada com a perfeição. (...)”. Essa fé relacionada com a “perfeição” refere-se à fé em Deus absoluto, perfeito e harmonioso, assim como consta na Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade: “A ilusão fundamental que faz o homem ter o pesadelo de que o pecado, a doença e a morte são existências verdadeiras surgiu, em tempos remotos, da teologia segundo a qual o homem é feito do pó da terra”. Penso que Deus absoluto não é esse Deus da teologia que diz ter criado o homem do pó da terra. E podemos dizer simultaneamente que todas as pessoas são filhas de Deus, que buscam a perfeição e, por isso, anseiam por Deus absoluto, o Verdadeiro Deus. Mas é preciso perceber que não temos a conscientização clara disso. Por exemplo, no jornal Mainichi Shinbun do dia 3 de abril de 2004, consta a seguinte carta da sra. Reiko Nakagawa (79 anos), residente na cidade de Yokohama, Minato, Kita-ku: “Em janeiro, fui de ônibus com os membros da Associação dos Idosos para a primeira visita do ano ao Templo Naritasan Shinsho-ji. Após deixar Naritasan, almoçamos e visitamos o Santuário Tomioka Hachiman, e, quando visitava o Santuário Fukagawa Fudô, bati a cabeça em algo e as lentes dos meus óculos caíram. Fiquei em apuros, pois tenho deficiência visual de grau 4. “Nessa hora, um rapaz veio correndo e catou as lentes. “Minha amiga M, que observara isso, disse-me: ‘Um jovem que parecia ser um estudante secundário, apesar de estar falando no celular, interrompeu a conversa e veio correndo catar as lentes’. Costumam criticar os jovens de hoje, mas há os que são tão gentis como esse também. “Foi algo tão súbito que nem agradeci a ele, mas escrevo esta carta na esperança de que ele a leia. Agradeço-lhe, de todo o coração. Muito obrigada”. Podemos dizer que a atitude desse estudante foi verdadeiramente uma manifestação brilhante da perfeição interior imanente, ou seja, da sua natureza divina.

 


Riso Sekai, 7/2004