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13/12/2006
A respeito do arrependimento


Casei-me mantendo em segredo certos fatos de meu passado e hoje sofro por causa disso. Será que devo contar tudo a meu marido?” Consulta - Sou casada há quatro anos e tenho dois filhos. Meu marido é um homem sisudo, não bebe nem fuma, e é do tipo que prefere ação a palavras. Quanto à nossa vida familiar, creio que pode ser considerada tranqüila e feliz. No entanto, todos estes anos tenho vivido angustiada por ter-me casado mantendo em segredo certos fatos do meu passado. Às vezes, penso em revelar esses fatos a meu marido, mas, imaginando as conseqüências, perco a coragem. Entretanto, continuo a acreditar que a postura correta é dizer sempre a verdade, e por isso decidi escrever-lhe para pedir orientação sobre como devo proceder. Eu estava na 2ª série do curso secundário quando a professora falou à classe a respeito de temas como castidade e virgindade. Então, lembrei-me de um fato que me aconteceu há muitos anos e fiquei abalada, percebendo que foi algo horrível. O fato ocorreu quando eu era ainda uma garotinha: certo dia, fui atacada e violentada por um estudante, que era delinqüente juvenil. Quando a professora falou a respeito da castidade e da virgindade, voltaram-me à lembrança aqueles momentos terríveis. A partir de então, uma sombra escureceu minha vida. Às vezes, tinha vontade de morrer ou de entrar numa turma de delinqüentes juvenis, mas, pensando na minha família, refreava-me. Sofri e lutei sozinha para me libertar da vida sombria e acho que consegui porque era jovem. Entretanto, não se pode negar que o fato ocorrido na infância deixou marcas em mim e influiu no rumo de minha vida. Quando concluí o curso colegial, consegui emprego numa instituição financeira. Procurava manter uma aparência alegre e extrovertida, mas na verdade sentia-me triste e deprimida. Moças nessa idade começam a sonhar com casamento e algumas falam de seus pretendentes. Mas eu não conseguia sonhar com essas coisas e vivia com a mente sombria. Dizem que pensamentos sombrios levam a um destino sombrio; de fato, acabei tomando um rumo errado na vida. Eu tinha um colega por quem sentia admiração e respeito e gostava de conversar com ele, pois suas palavras me confortavam. Um dia, ele me declarou amor. Eu, que era uma moça carente de afeto, deixei-me levar por suas doces palavras e acabei me entregando a ele. Mas ele era casado e, além disso, tinha um futuro promissor. Refleti que, se continuássemos nosso relacionamento, o futuro dele ficaria comprometido. Pensando nisso, e também no meu próprio bem, resolvi separar-me dele e ir-me embora da minha terra natal. Fui morar em outra cidade, onde mudei de emprego várias vezes. No último emprego, conheci meu atual marido. Sua sinceridade me cativou, aceitei namorá-lo e, após um ano, ele me pediu em casamento. (...) Hoje sofro por manter em segredo o erro do passado e me arrependo de não ter contado tudo antes de me casar. Seria muita pretensão esperar que os meus erros passados sejam perdoados e eu possa levar uma vida livre e feliz? Resposta - Existem muitas mulheres que têm traumas semelhantes ao seu e vivem sofrendo. Por isso, ao responder a sua consulta, quero alertar não só as mocinhas, como também as mães que têm filhas pequenas. O fato de uma criança sofrer violência sexual é um infortúnio tão terrível como ser vítima de atropelamento, e, muitas vezes, ocorre por descuido dos pais, que deveriam zelar por sua segurança. Os pais devem proteger as filhas pequenas não apenas do risco de acidentes como também das garras de homens perversos. Existem maníacos sexuais que visam garotinhas de 5 ou 6 anos e esperam o descuido dos pais para atacá-las. Freqüentemente, os jornais noticiam casos de crianças vítimas de violência sexual, algumas das quais foram assassinadas. É essencial que os pais se empenhem em zelar pela segurança dos filhos pequenos, que, sendo inocentes, não desconfiam de estranhos. Quando você estava na 2ª série do curso secundário, uma palestra da professora a fez relembrar a terrível experiência pela qual passou quando era pequena, e, a partir de então, você se tornou uma moça tristonha, com mente sombria. Lamento que você, na época, não tenha falado sobre suas angústias à sua mãe ou a alguma senhora de confiança, pois, assim, teria encontrado alívio e conforto e não estaria sofrendo até hoje. Quanto ao fato de ter-se envolvido com um homem casado, você não pode culpar os outros, pois já era adulta e responsável por seus atos. Desde o início, você sabia que ele era casado. Devia ter continuado a tratá-lo apenas como colega. Acho que toda moça, quando sentir que está começando a sentir algo mais que amizade por um homem comprometido, com quem nunca poderá se casar, deve ouvir a voz da razão e afastar-se dele. Você voltou à razão tarde demais. Você diz que, quando ele lhe declarou amor, deixou-se envolver pelas doces palavras dele e acabou se entregando. Somente depois voltou a refletir de modo racional, percebendo que, para seu próprio bem, não devia continuar com esse relacionamento. Se analisasse friamente o caso, teria percebido, desde o início, que esse homem não era digno de respeito nem de admiração. Você estava iludida ao nutrir por ele esses sentimentos. Ele não a amava de verdade; declarou-lhe amor apenas com a intenção de conquistá-la e aproveitar-se de você. Muitas mocinhas deixam-se levar facilmente por homens que lhes sussurram doces palavras de amor; perdem a cabeça, não pensam nas conseqüências de seus atos e acabam estragando a própria vida. Digno de respeito e admiração é o seu marido, um homem sério e honrado, que a ama sinceramente e, durante esses quatro anos de casamento, tem lhe proporcionado uma vida familiar tranqüila e segura. Você diz que está sofrendo por guardar em segredo certos fatos do seu passado e deseja contar tudo — o abuso sexual que sofreu na infância, a vida desregrada que levou numa fase da mocidade, o relacionamento com um homem casado —, a fim de se sentir aliviada. Tal confissão certamente será um terrível golpe para seu marido, que se dedica ao lar confiando em você. A harmonia do seu lar será destruída, e todos se tornarão infelizes. Você não tem o direito de tomar uma atitude que acabará prejudicando a família toda. É para Deus que você deve pedir perdão dos erros cometidos no passado. Assim, livre das máculas, viva corretamente, com a mente renovada e pura. Empenhe-se em ser uma boa esposa e mãe, zelando pela felicidade e harmonia da família. Lembre-se: o arrependimento sincero extingue o erro do passado

 


Do livro 51 Consultas Femininas, pp. 51-55