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02/08/2007
Professor Daijiro Matsuda,o apóstolo (parte II)


Nesta edição do Boletim Informativo Círculo de Har­monia, daremos prossegui­mento a biografia do profes­sor Daijiro Matsuda.

A fonte deste material foi o livro História dos 20 anos de Seicho-No-Ie do Brasil (edição em japonês), de autoria de Kiyo­mitsu Takemoto.

Aos senhores leitores, de­sejamos uma excelente leitura e que o exemplo deste pioneiro possa servir de moti­vação para os líderes do mo­vi­mento.

“Há uma história que se tornou famosa. A Sra. Ozono sofria de doença cardíaca e reumatismo. Acompanhada pelo filho, ela procurou o prof. Daijiro na casa dele. O filho da Sra. Ozono estava com nódulo linfático inflamado e compus. A certa altura, ele levantou-se para ir embora e deixá-la sozinha. O prof. Daijiro, então, pôs os olhos no nódulo linfático inflamado do rapaz e deu um tapa no pescoço dele, gritando: “Você é um filho muito ingrato!”. A inflamação linfática dele desapareceu num instante, após essa bronca. Isso aconteceu em 1936. No ano seguinte, em 30 de abril de 1937, o jovem Nobuo Jyo (atual Vice-Diretor-Presiden­te da Seicho-No-Ie), então com 22 anos, recebeu a orientação do prof. Matsuda.
Assim o círculo de atuação do prof. Daijiro Matsuda ia aumentando. Ao ser solicitado, o professor saía de casa e, às vezes, se ausentava por até três meses. Ele contou que chegou a ficar sem dormir durante 40 dias, fazendo a divulgação. Na época, os meios de transporte eram muito deficientes e, na maioria das vezes, o prof. Matsuda andava a pé. O máximo de conforto era andar no dorso de um cavalo ou numa jardineira aberta, tal era a dificuldade de realizar a divulga­ção.
A orientação pessoal do prof. Daijiro Matsuda era peculiar, pois após uma grande bronca acontecia imediatamente o milagre. A bronca do prof. Daijiro Matsuda era sempre motivo de um caloroso e agradável assunto de conversa e ainda é lembrada com muita saudade.
O milagre da solução dos problemas familiares e dos problemas da vida e o milagre do desaparecimento de doenças de difícil cura eram alardeados, e, assim, as pessoas procuravam a Seicho-No-Ie e muitas delas foram salvas. Quando as que haviam sido salvas ofereciam contribuição em sinal de gratidão, o prof. Daijiro Matsuda não usava essa contribuição para fins particulares. Ele a entregava integralmente à Sra. Kiyono, para que ela guardasse e posteriormente a contribuição fosse enviada à Seicho-No-Ie do Japão.
Pessoa íntegra e sincera, o prof. Daijiro Matsuda atribuía tudo à glória de Deus e às virtudes do prof. Masaharu Taniguchi e, durante a vida toda, sempre se portou como um humilde praticante dos ensinamentos. A Sra. Kiyono conhecia bem o marido e se dedicava aos afazeres domésticos. O prof. Miyoshi Matsuda cuidava da parte dos negócios, o que contribuiu para que o prof. Daijiro Matsuda pudesse se empenhar na divulgação da Seicho-No-Ie sem nenhuma preocupação. A família, unida, dedicou-se à Seicho-No-Ie e às pessoas.
Na época, o prof. Daijiro Matsuda me disse: “Isso aconteceu há muitos anos no Japão. Miyoshi era um ótimo aluno e tirava notas excelentes na escola. Uma das famílias mais ricas da província queria adotá-lo. Se ele tivesse sido adotado por aquela família rica, mesmo que ele aumentasse o patrimônio dessa família, as pessoas diriam que isso é nada mais do que natu­ral. Por outro lado, se ele perdesse um centavo do patrimônio, seria apontado pela sociedade como um filho adotivo incapaz. Não é possível manifestar a própria força e demonstrar o seu valor sobre o patrimônio acumulado por outras pessoas. ‘Rejeite essa proposta, pois se acontecer isso será lastimável’, disse o prof. Daijiro, não concordando que seu irmão fosse adotado por outra família”.
Esse fato demonstra cla­ra­mente o caráter do prof. Daijiro Matsuda. Ele se sobressaía com sua personalidade forte e resoluta, viveu à sua maneira, a campo aberto, e não acompanhava a correnteza da época para fazer a divulgação à multidão. Ele acreditava fir­memente no en­sinamento do prof. Masaharu Taniguchi e achava que era o ensinamento maior.
Uma vez na posição de quem prega a doutrina, com forte determinação ele dominava a platéia. Conforme o caso, ao orientar as pessoas com liberdade, o professor parecia um pai amoroso e sorridente e pregava a profunda Verdade. Apesar da sua severidade, era mais amoroso do que outras pessoas e muito atencioso. Mesmo com as suas broncas, ele deixava nas pessoas uma saudade e boa impressão. O prof. Daijiro não tinha outro interesse na vida e viveu somente para o ensinamento de maneira pura.
O prof. Daijiro Matsuda tinha no Sr. Togashi o melhor amigo. O Sr. Togashi era muito rico e confiava inteiramente nos irmãos Matsuda, auxiliou-os em todos os sentidos quando abri­ram uma colônia em Ibaiti e construíram uma Academia de Treinamento para os jovens no período durante e pós-guerra, criando um ambiente para formar jovens, ou após a aquisição de um amplo terreno em Ibiúna, por ocasião da construção da Academia Sul-Americana de Treinamento Espiritual de Ibiúna. Tudo foi possível graças aos laços da grande amizade que os unia ao sr. Togashi. A pessoa que possui um amigo realmente confiável é feliz. Quando penso que uma amizade pode beneficiar tantas outras pessoas, fico feliz.
Mas chegou o momento em que Deus chamou o Sr. Daijiro Matsuda. Ele faleceu no dia 24 de julho de 1962, depois de se dedicar por tantos anos de corpo e alma às atividade de divulgação da Seicho-No-Ie.
Nesse dia, cerca de 500 jovens participavam de um Seminário de Treinamento Espiritual na Academia de Ibiúna. Pela manhã, visitei o prof. Daijiro, que se encontrava aca­mado. Ele estava muito bem-humorado e, por isso, fiquei conversando com ele por cerca de duas horas, fazendo-lhe massagem. Lembro-me bem das palavras ditas pelo prof. Daijiro na ocasião:
“A Seicho-No-Ie no Bra­sil cresceu muito. No ano que vem, receberemos a visita do prof. Masaharu Taniguchi, e isso é muito gratifi­cante. Pensando bem, acho que o verdadeiro ensinamento da Seicho-No-Ie não está sendo divulgado corretamente. Acho sinceramente que nós todos devemos fazer uma profunda reflexão“.
Nem imaginei que essas seriam suas últimas palavras... Eu nem podia imaginar.
“Obrigado. Muito obriga­do. Graças à massagem, sintome mais confortável. Hoje, posso descansar bem!”
Ele estava muito feliz, con­versou animadamente, mas...
Ao anoitecer desse mesmo dia, o prof. Daijiro Matsu­da faleceu. O funeral foi feito no dia 25, mas o que mais me surpreendeu foi a sua aparência, que estava completamen­te mudada. Do momento em que o corpo do prof. Daijiro foi colocado no caixão até a hora do último adeus no cemitério, foi assombrosa a sua transformação. Ele parecia estar vivo, seu rosto misericordioso estava tranqüilo e belo. Irradiava a “beleza” de uma pessoa que encerrou a última cena da vida somente depois de cumprir sua missão terrena e assim foi ao encontro de Deus.
O grandioso pioneiro que deu início no Brasil da divulgação da Seicho-No-Ie e que era estimado por todos nós como se fosse nosso pai se foi tranqüilamente, após cumprir uma grandiosa missão.

Eu me recordo ainda das suas palavras naquela manhã
Diz-se Imagem Verdadeira, filho de Deus, mas em algum momento não nos tornamos dogmáticos e somos levados pelo fenômeno, pela teoria fenomênica? Será que não estamos falando da Imagem Verdadeira ou do homem, filho de Deus com uma transformação de 180 graus? A harmonia familiar, o dever filial de respeito aos pais, a boa relação entre nora e sogra, se tudo isso não for pre­gado da posição de trans­formação de 360 graus, não se poderá dizer que seja o verdadeiro ensinamento da Seicho-No-Ie. A Verdade absoluta e rígida de convergência ao centro é a Vida, o centro da Seicho-No-Ie, mas será que nós não estamos pensando erroneamente, ba­seados no senso comum?
Nós devemos herdar a verdadeira intenção do sagrado mestre Masaharu Taniguchi. Dentro do “fluxo” da vida de um povo com perso­nalidade, devemos nos conscientizar da existência da responsabilidade pelo destino comunitário, e pela renovação do povo, isto é, nos voltar para o ideal da formação do povo e transmitir com dignidade e responsabilidade a essência e a correição do ensinamento para a posteridade. Essa é a minha reflexão sobre o pensamento do prof. Daiji­ro. 
No ano seguinte (1963), os adeptos da Seicho-No-Ie tiveram a honra de receber a tão aguardada visita dos professores Masaharu e Teruko Taniguchi ao Brasil. Nes­sa ocasião, o prof. Masaharu Taniguchi viu o memorial do prof. Daijiro Matsuda instalado no jardim da parte da frente da Academia de Ibiúna e disse: “O memorial do prof. Daijiro Matsuda não pode ser deixado aqui. Leve-o para o recinto do Templo Hoozo”.
Essa foi a instrução do Mestre. Nós, que ouvimos falar desse episódio, sentimos a mente sublime, profunda e calorosa do Mestre. Com lágrimas nos olhos, reverenciamos ao grande amor do Sagrado Mestre, com o pensamento: “A virtude do prof. Daijiro Matsuda não foi em vão. Descanse em paz!”. As palavras que constam na lápide foram escritas pelo prof. Shiguekazu Saito, mas em virtude do tamanho fixo da lápide, que podia conter somente 35 palavras, dispos­tas em 12 colunas fixas, eu e o falecido prof. Kunio Senda quebramos a cabeça e tivemos o cuidado para que as palavras “Deus da Seicho-No-Ie” e “professor Masa­haru Taniguchi” não ficassem na parte inferior da lápide. Quase todo o original teve de ser reescrito pelo prof. Senda. Usando corretamente as palavras, ele fez também a revisão final. As palavras gravadas na lápide também foram escritas pelo prof. Senda. Ao mesmo tempo em que as vir­tudes do prof. Daijiro Matsu­da permanecerem para sempre, a maravilhosa caligrafia do prof. Senda também será recordada pela posteridade, e dedico-lhe aqui a minha profunda gratidão.

Palavras gravadas na lápide
Em 1933*, o Espírito Santo de Deus da Seicho-No-Ie “desceu do céu” sobre o professor Daijiro Matsuda e escolheu-o para iniciar o Movimento de Iluminação da Humanidade no Brasil. A grave enfermidade que o mantinha no limiar da vida e da morte desapareceu como um encanto, após tomar conhecimento da Verdade da Vida. Emocionado, não se contentou em ser salvo e, com o sentimento de gratidão, empunhou o grandioso estandarte do Movimento de Iluminação da Humanidade e percorreu os quatro pontos cardeais do Brasil, de norte a sul, de leste a oeste, pregou o caminho e ofereceu a luz. São incontáveis os milagres ocorridos, e o ensinamento da Sei­cho-No-Ie se propagou como um fogo sobre a planície. Durante mais de 30 anos de atividade, encorajou inúmeras pessoas e formou orientadores, reuniu os companheiros sob a bandeira da Seicho-No-Ie do Brasil e consolidou o sistema organizacional do Movimento de Iluminação no Brasil. Chamado por Deus, faleceu repentinamente no dia 24 de julho de 1962. Sua perda é irreparável. Entretanto, o serviço relevante prestado pelo professor Matsuda não perecerá jamais e permanecerá para sempre como um grandioso marco iluminado na história do Movimento de Iluminação no Brasil. Nós amamos e admiramos a virtude do professor Daijiro Matsuda. Neste glorioso ano em que recebemos os professores Masaharu e Teruko Taniguchi, construímos esta lápide para lembrar para sempre as suas virtudes.
(* Na lápide está grava­do 1935, mas a data correta é 1933)
Posfácio
No dia 16 de outubro de 1969 encontrei-me pela primeira vez com o prof. Kamura. Imperturbável e solene, mas com uma expressão meiga e moderada que impregnava a atmosfera, fui tomado por um sentimento de estar profundamente purificado e, ao mesmo tempo, veio à minha mente a lembrança do prof. Daijiro Matsuda. Sorridente e com ar de profunda felicidade, o prof. Daijiro Matsuda ficava assistindo às calorosas discussões dos dirigentes da Associação dos Jovens sobre a Diretriz do Movimento. Recordeime daquela atmosfera branda e por instante tive a ilusão de que o prof. Matsuda estava ali pre­sente. O prof. Daijiro Matsuda vive dentro de mim e na mente de muitas pessoas. Ele foi uma pessoa que deixava boa impressão, alguém que, mesmo após uma bronca memorável, deixa uma calorosa ressonância.

O prof. Daijiro Matsuda trilhou sempre o caminho da humildade, mas a sua fé na guarda do ensinamento era mais forte do que a de outras pessoas. Antigamente, ele sempre se referia ao seu irmão chamando-o de Miyoshi, mas, quando o prof. Miyoshi Matsuda se tornou preletor da Sede Internacional, passou a referir-se a ele como “Preletor da Sede Internacional” e jamais voltou a chamá-lo pelo nome de Miyoshi. É a prova de que o prof. Daijiro Matsuda sempre pautou o caminho como discípulo do prof. Masaharu Taniguchi com humildade, pureza e retidão. Antigamente, na época em que ele percorria de norte a sul, de leste a oeste no trabalho de divulgação, visitando o jovem que estava à beira da morte por causa da tuberculose, ou ao casal na iminência da separação, ou quando era questionado sobre o segredo da Meditação Shinsokan..., lembro-me dos episódios orientados por ele, mas não consigo apresentar o lampejo do prof. Daijiro Matsuda. Escrevi este artigo constrangido por não poder mostrar nem um lampejo do professor. Reverencio com gratidão diante da alma do prof. Dai­jiro Matsuda.  

 


Circulo de Harmonia