Instagram oficial da Seicho No Ie do Brasil
Google Plus + oficial da Seicho No Ie do Brasil
twitter oficial da Seicho No Ie do Brasil
Youtube oficial da Seicho No Ie do Brasil
Facebook oficial da Seicho No Ie do Brasil

18/06/2007
Cooperação Internacional e Patriotismo


O lamento da embalagem do guarda-chuva

 Certo dia, em 1996, fui à loja Isetan, localizada no bairro Shinjuku, em Tóquio. Quando estava retornando, começou a chover muito; abriguei-me na frente de uma loja do outro lado da rua e fiquei esperando o ônibus que vai para Shibuya.

 Nisso, um casal de jovens saiu correndo de uma loja com um guarda-chuva embalado num saco plástico. Ao abrirem o guarda-chuva, jogaram o saco plástico na rua. Isso ocorreu bem na minha frente, e essa embalagem, que se retorcia na chuva, parecia estar chorando. Catei-a e joguei-a na caixa para jogar sacos plásticos de guarda-chuvas à cerca de um metro do local onde eu estava.

 Esse casal de jovens deveria ter esticado um pouquinho o braço e jogado o saco plástico nessa caixa, mas o jogou no chão. Se ao menos o levasse para casa a fim de jogá-lo num local adequado, não teria sujado a rua; mas não fez nem isso. O mesmo pode ser dito em relação às pessoas que jogam tocos de cigarros e latas vazias em vias públicas. Não seria demasiadamente egoísta pensar “Alguém se encarregará da limpeza”? Se essas pessoas viajarem para outros países e jogarem lixo nas ruas, certamente os habitantes desses países ficarão indignados pensando: “Os japoneses são irresponsáveis. São pessoas desagradáveis que emporcalham as vias públicas”. Cadê o espírito de cooperação internacional?

 Melhorar, mesmo que seja sozinho(a)

 Quando se fala em amar a pátria, talvez pensem que é preciso realizar algo grandioso, mas não é isso. Nessa mesma época, a princesa Diana da Inglaterra teve um fim trágico, num acidente de carro, e desolou o mundo. Era enorme a sua popularidade. Mas, se o motorista que dirigia o carro tivesse tomado um pouco mais de cuidado, não teria se chocado contra um pilar, e ela e as pessoas que estavam juntas não teriam morrido, causando tamanha confusão. Dizem que o automóvel corria a uma velocidade próxima a 190 km/h, e que o motorista estava alcoolizado. Mas, mesmo que estivessem sendo perseguidos por numerosos fotógrafos, se ele não tivesse dirigido de forma mortal, se descortinaria um outro mundo e não haveria a necessidade de pessoas importantes de muitos países se reunirem para a visita de condolências.

 O problema não se encontra na atitude de uma só pessoa, mas, com a mudança de atitude de uma única pessoa, os acontecimentos do mundo podem sofrer grandes mudanças. Se essas mudanças forem para o lado melhor, as relações internacionais também se tornarão melhores.

Conta-se que esse motorista disse aos fotógrafos: “Por mais que nos persigam, não conseguirão nos alcançar”. Na atual situação internacional, é bem possível que uma simples cortesia ou boas maneiras gerem uma grande diferença na reputação e na confiança de um país.

 No jornal Yomiuri Shinbun, do dia 29/8/1997, consta a seguinte carta de um leitor. É a opinião do sr. Yasuhiro Nagasawa, professor residente na cidade de Neyagawa, Osaka.

 “Retornei ao Japão em março deste ano, após lecionar durante três anos nos Estados Unidos, numa escola suplementar para japoneses, mas estou aborrecido com a falta de modos do povo deste país.

 “Motoristas que estacionam tranqüilamente os carros nas ruas. Pessoas insolentes que fumam e jogam pontas de cigarro nas ruas. E, ao tentar descer do trem, sou empurrado de volta pelas pessoas que entram.

“Fico abismado, juntamente com meus dois filhos. É lastimável e vergonhoso ter de dizer a eles: ‘Esta é a nossa pátria’.

 “Meu filho que foi transferido para a escola primária do Japão, contou-me o seguinte: ‘O local onde guardamos os sapatos na escola do Japão fica congestionado na hora do recreio. Todos vão correndo e calçam os sapatos, uns empurrando os outros. Por isso, eu procuro ir sempre por último’.

 “Desejo dar a minha contribuição para tornar este país um bom país, melhorando minhas atitudes do cotidiano. Em vez de ficar comentando a história do país, desejo tomar atitudes que façam meus filhos se orgulharem do Japão atual.”

 Se os jovens fizerem algo bom, por pouco que seja, o país melhorará na mesma proporção. E isso também dará alegria aos pais, trará a paz ao país e também estará dando uma contribuição ao mundo. Isso pode ser feito mesmo sozinho(a)! Se cada pessoa não fizer a sua parte, nada se concretizará.

 No dia 13 de julho de 1997, o jovem R (nascido em 8/1980) pronunciou o seguinte relato de experiência.

 Motoqueiros alucinados

 Ele começou a trabalhar assim que concluiu o curso ginasial e também passou a fazer parte de uma gangue de motoqueiros alucinados. E passava os dias cheirando tíner, correndo de moto sem carteira de motociclista, bebendo com yakuzas. Enquanto vivia desse modo, acabou provocando um acidente de moto em agosto de 1996 e foi hospitalizado. E, no hospital, ele ajudou a cuidar de idosos na hora das refeições. Isso foi para ele algo bastante agradável.

 Então, com essa experiência, começou a pensar em ser enfermeiro para cuidar dos idosos. Isso porque ele aprendeu, na prática, a alegria que se sente ao ser gentil com as pessoas, proporcionando-lhes felicidade. Desse modo, mesmo que, à primeira vista, passe por experiências infelizes como acidentes ou doenças, o ser humano sempre procura progredir, e isso é maravilhoso.

 Com isso, R foi, pouco a pouco, perdendo a vontade de continuar fazendo parte da gangue de motoqueiros alucinados. E, atendendo ao convite de sua mãe para participar dos eventos da Seicho-No-Ie, foi á Convenção Nacional dos Jovens no mês de maio e decidiu desligar-se definitivamente da gangue de motoqueiros. Participou também do Seminário Geral de Treinamento Espiritual em maio. E, na hora da Cerimônia de Purificação da Mente, escreveu na folha de papel diversos pensamentos do passado e, ao ler a sutra sagrada enquanto as folhas de papel eram queimadas, lembrou-se repentinamente de um fato do passado. Foi do momento em que seu irmão menor voltou da escola chorando.

 O irmão fora maltratado pelos colegas da escola por causa do barulho das motos que perturbavam o sono deles. Lembrando-se desse fato, R percebeu o mal que causara a seu irmão e não conseguiu conter as lágrimas de arrependimento. Ouvindo as palestras dos preletores, sentiu intensamente a necessidade de agradecer aos pais. E o preletor Jyuro Miyamoto disse-lhe o seguinte: “Fazer parte de uma gangue de motoqueiros alucinados é mais difícil do que ingressar na Universidade de Tóquio. Você é um jovem maravilhoso”.

 Ouvindo isso, ele se sentiu feliz, pensando que passara por experiências fantásticas. Ao retornar para casa após o Seminário, decidiu desligar-se da gangue de motoqueiros. E, no final de junho, procurou o jovem que comandava a gangue e, entregando-lhe o “uniforme”, disse: “Quero me desligar da gangue”.

 Ele tentou convencê-lo a não se desligar, dizendo para continuar correndo, mas era firme a decisão de R. Foi difícil, mas conseguiu desligar-se da gangue. Por uns tempos, ele foi alvo do desprezo dos companheiros da gangue, chegando a ser espancado pelos mais velhos, mas R afirma que foi bom ter-se desligado. E disse que, doravante, irá estudar mais profundamente os ensinamentos da Seicho-No-Ie e que será um bom filho, porque, até então, só causou preocupações aos pais durante 16 anos.

O fato de ele se desligar dos motoqueiros alucinados e decidir viver professando uma fé verdadeira, foi uma decisão de praticar o bem, e isso não se restringe à questão individual, somente dele. Com certeza, os pais de R se sentiram bastante tranqüilos. A mãe está desenvolvendo intensas atividades como presidenta de uma Associação Local da Pomba Branca. Isso exerce grande influência nas pessoas ao seu redor e está acumulando bons carmas, tanto em relação à sociedade quanto à nação, não sendo jamais um fenômeno isolado de pouca importância.

 Sobre causa e efeito

 Geralmente, todas as pessoas do mundo possuem sentimento patriótico. É similar ao fato de, no fundo do coração, todas as pessoas amarem os pais. Quando sentem que os pais estão felizes, os filhos também ficam felizes.

 De modo análogo, todos ficam felizes quando a pátria prospera e dá a sua brilhante contribuição ao mundo. É comparável ao fato de o povo de uma nação ficar feliz quando algum atleta conquista medalha de ouro nas

Olimpíadas. Mas ninguém ficará feliz, mesmo que um compatriota fique famoso assassinando muitas pessoas. Todos ficarão muito tristes. Isto é uma prova de que todas as pessoas possuem sentimento patriótico, não significando que apenas pessoas especiais sejam patriotas.

 Entretanto, como o verdadeiro amor não é aquele sentimento que fere as outras pessoas para levar a melhor, devemos ter um coração magnânimo, que se sente feliz quando uma pessoa de um outro país fica famosa por ter praticado uma boa ação. Logicamente, não é verdadeiro um sentimento patriótico que se apodera do território de outro país. O verdadeiro sentimento patriótico jamais prejudica um país alheio, usurpando algo dele. Nada usurpa horizontalmente, mas verticalmente, ou seja, recebe de Deus, a infinita fartura, a felicidade, a prosperidade e bons carmas. Em outras palavras, é o sentimento que pratica o amor em todos os cantos do globo terrestre, não só ao ser humano, mas também aos animais e vegetais, assim cooperando para o bem-estar internacional.

 Portanto, isso é algo que jamais pode ser menosprezado, achando que seja insignificante, olhando apenas seu aspecto superficial. Deve-se aprender desde cedo boas maneiras e praticar pequenas boas ações. Naturalmente, isso deve ser praticado muito também na velhice, mas, começar desde jovem, é a forma mais eficaz.

 No jornal Yomiuri Shinbun, do dia 3 de setembro de 1997, consta a seguinte carta do sr. Shigueyuki Matsushima (Setagaya-ku, Tóquio – diretor de empresa).

 

“Quando viajava no trem da linha Yamate, numa das estações, cerca de dez adolescentes entraram animadamente no vagão em que eu me encontrava. Nisso, a mochila que um deles carregava bateu fortemente na minha barriga. O garoto não percebeu isso e ia juntar-se aos amigos, quando um deles o repreendeu batendo na cabeça dele: ‘Não deve incomodar os outros’.

 

“O garoto perguntou ‘Incomodei a quem?’, e o amigo explicou-lhe: ‘A este senhor aqui’. Este pequeno diálogo fez com que o garoto percebesse o que fizera, e ele me pediu desculpas.

 

“Quando lhe respondi ‘Não há de quê, basta que você tenha percebido’, ele se desculpou novamente com uma fisionomia encantadora. Foi estimulante a docilidade desses garotos.

 

“Justamente por ser um momento em que a educação dos adolescentes está em questão, devido ao caso do assassinato cometido por um aluno do curso primário na cidade de Kobe, senti-me aliviado. Sem dúvida, foi grande o choque causado por aquele incidente, mas não devemos observar com os mesmos olhos o garoto suspeito e os demais garotos da mesma faixa etária. E refleti: em todas as épocas existem adolescentes que conseguem efetuar um julgamento correto dos fatos.”

 

Se, dessa forma, todas as pessoas do Japão forem gentis, educadas e trocarem cumprimentos agradáveis e alegres, certamente farão com que o nosso país seja próspero, seguro e bom de viver. Não são patriotas que se fazem de pessoas importantes, mas pessoas normais e amorosas.

Assim, as atividades que elas efetuam com sentimento dócil, ou seja, com a mente divina, conquistarão com certeza a simpatia das pessoas do mundo inteiro, promovendo assim a paz mundial. Não se consegue a paz mundial criando uma situação utópica, fazendo com que todos os países se desarmem. A paz irá concretizando-se gradualmente como conseqüência da manifestação da mente divina que todos possuem originalmente. Existe a lei de causa e efeito, e é inútil buscar primeiro o efeito, antes da causa. E vamos dizer firmemente, a grande número de pessoas, que a causa tem aspecto bem menor que o do efeito, sendo, muitas vezes, invisível.

 


Revista Mundo Ideal - Junho / 2007