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17/06/2009
Ollhar profundamente amoroso


A alegria de ser feliz

Nós fazemos da alegria alheia nossa própria alegria. Sentimos alegria suprema quando alguém está feliz. Não sacrificamos a alegria do outro para obter a nossa alegria. A felicidade de outra pessoa é a nossa alegria, e o sucesso dela nos deixa felizes como se fosse nosso próprio sucesso.

É uma alegria infinita o fato de os ensinamentos da Seicho-No-Ie estarem sendo transmitidos em todo o país, pois temos certeza de que as pessoas encontram a felicidade através destes ensinamentos. Não sentimos essa alegria porque cresce a nossa organização religiosa, nem porque aumenta o número de adeptos. Sentimos alegria unicamente porque as pessoas encontram a felicidade.

Mesmo que o nome Seicho-No-Ie desapareça da face da Terra, o ensinamento pregado por ela “O homem é filho de Deus, e ninguém é infeliz” continuará existindo eternamente e, por isso, a humanidade é feliz. A felicidade da humanidade é, ao mesmo tempo, nossa felicidade. Ainda que, por hipótese, a organização desta entidade religiosa fique extremamente tumultuada, não anuviará a Verdade homem, filho de Deus, nem desvirtuará o fato de sermos filhos de Deus, perfeitos e harmoniosos. Nada mudará. Em suma “Meu reino não é deste mundo”.

O mundo fenomênico é manifestação exclusiva da mente

Aquele que julga o outro, está vendo os vermes do seu próprio coração. Não pretendemos salvar a humanidade da infelicidade. Nem bradamos “Sofredores, venham a nós que os salvaremos”. Declaramos que a infelicidade não existe e apenas oramos visualizando a Imagem Verdadeira do homem – que é perfeita, harmoniosa e sem sofrimentos. Não salvamos ninguém, pois, como poderemos salvar alguém que já é perfeito? A Imagem Verdadeira já é perfeita.

Se alguém diz “A Imagem Verdadeira é perfeita, mas o fenômeno...”, ele está colocando a Imagem Verdadeira no mesmo nível do fenômeno visível.

Há quem diz “A religião não deve proporcionar salvação individual”. Entretanto, mesmo na época em que Jesus e Buda viveram, os fariseus e os brâmanes rebelaram-se contra eles, maldizendo-os, afligiram-se, sofreram e invejaram-se uns aos outros. Cristo não salvou toda a sociedade daquela época. O aspecto da sociedade que se manifesta ao redor de um indivíduo é projeção da mente dessa pessoa. A isso se diz “O mundo fenomênico é manifestação exclusiva da mente”.

O indivíduo e a sociedade

Se não existirem indivíduos, não existirá a sociedade. E, ao observar a sociedade japonesa da atualidade, o indivíduo A a verá de um modo, enquanto B a verá de outra maneira. Se observarem a sociedade de uma posição neutra, ela será um conjunto abstrato, uma sociedade morta, e não viva. Não passará de um conceito que tanto criticam os materialistas. Quando o país X estiver em guerra com o país Y, o indivíduo A interpretará essa guerra de um modo, e B fará isso de outro. O indivíduo A vê o mundo  que existe na mente A, enquanto B vê o mundo que existe na mente B.

A maioria das pessoas diz que a guerra é um mal. Não há dúvida de que é um mal, assim como a diarreia é um mal para o corpo da pessoa que a está tendo. Entretanto, só tomando remédio antidiarreico, o corpo dessa pessoa não recupera a saúde. É o corpo carnal fenomênico dela que está sofrendo a diarreia, e não a pessoa em si. A pessoa em si, ou seja, o verdadeiro homem, jamais adoece nem sofre, mas continua sendo adamantino e indestrutível.

A guerra, porém, dissemina na humanidade sofrimentos atrozes. A mentalidade desarmônica de ódio mútuo das pessoas é que causa e atrai a guerra. Mas essa é uma mentalidade falsa, que não existe de verdade. Originalmente, os seres humanos vivem alegremente, compartilhando a felicidade. Não se encontra a felicidade onde as pessoas se criticam, apontando o mal reciprocamente. A felicidade existe onde as pessoas louvam reciprocamente a boa vontade e as qualidades do outro. O homem verdadeiro jamais realizou uma guerra.

Ser atencioso

Imaginemos que haja um doente deitado na rua e que um religioso passa por ele. Esse religioso está ciente do fato de que a Imagem Verdadeira desse doente é de perfeição e harmonia, como também que o mal fenomênico não existe originalmente. Então, ele nem olha para o doente e passa dizendo “A doença inexiste originalmente, você é perfeito e harmonioso”. Será essa a atitude de quem alcançou a iluminação?  Sem dúvida, ele é uma pessoa esclarecida até certo ponto, mas não se pode dizer que é uma pessoa amorosa. Ele sabe que o doente está criando temporariamente a doença com a sua mente em ilusão, assim consumando o carma, mas não possui a consciência de que o homem é filho de Deus, e todos são um perante Deus.

Esse religioso esqueceu-se do fato de que é ele próprio quem está vendo o outro e pensando “A doença dele é sombra da mente dele, e ele só se curará dela quando mudar sua mentalidade”. Por que alguém que é originalmente um filho de Deus se manifestou no ambiente do religioso como um doente? Porque a mente dele (religioso) está doente. Estar doente significa que a Vida não está atuando com perfeição, ou seja, a Vida dele não está tratando o próximo com a devida atenção. Ser atencioso com o próximo é amar. Amar é sentir que “eu e o outro somos um”. Os outros adoecem porque falta amor em nós e não somos atenciosos com todos.

Um olhar de profundo amor faz desaparecer tudo que é imperfeito, porque esse não é um olhar superficial e sentimental. Quando se olha o próximo com sentimento de amor verdadeiro, não existe nisso uma imagem má, porque “eu e o outro somos um”. Starr Daily regenerou-se quando sentiu o olhar de profundo amor de Cristo. Um grande criminoso na visão das pessoas comuns pode não sê-lo na visão de Cristo. Um médico vê à sua frente um leproso, mas Sakyamuni vê a mesma pessoa como um Buda, um iluminado. Enquanto A vê desordem na sociedade, o santo B nela vê cenas em que as pessoas vivem felizes e alegres. Assim, um olhar de profundo amor contém o grandioso poder sanador de Deus.

Em busca de amor

Em março, um jovem que, a partir do dia 20 daquele mês, deveria cumprir pena de um ano e meio na penitenciária esteve na Academia de Treinamento Espiritual de Tobitakyu, sob licença especial da polícia, para estudar a Seicho-No-Ie. Trata-se do jovem Kumio Takumi, da cidade de Kanazawa. A causa que o levou a praticar delitos foi a desilusão que sofreu em relação ao amor materno, ou seja,  não conseguiu mais confiar no amor de sua mãe. A mãe dele, apesar de tê-lo gerado como filho, foi extremamente fria e não lhe servia as refeições nem lavava as roupas dele. Ele tinha de lavar suas cuecas. A mãe devia ter as suas razões para agir desse modo frio, mas o filho não suportou essa frieza. Ao completar 18 anos, passou a trabalhar numa empresa jornalística e, a partir disso, foi se corrompendo gradualmente. Começou a frequentar prostíbulos, cabarés e, aceitando convites de maus amigos, foi trilhando o caminho do mal.

O primeiro delito que cometeu foi furtar a própria casa com um amigo. Ele disse a esse amigo que não queria entrar na própria casa para roubar, mas foi ameaçado com uma faca e teve de entrar sorrateiramente no andar superior da sua casa e roubar as roupas da sua irmã mais velha. Logo foi preso e, a muito custo, conseguiu adiamento do processo e retornou para casa. Em casa, os pais e os irmãos o insultavam dizendo que ele era um fracassado, e outras pessoas o tratavam como um criminoso. Não conseguiu levar uma vida honesta de modo algum, nem ir novamente atrás dos maus amigos e ser arrastado cada vez mais para o atoleiro. Onde quer que fosse, ninguém o tratava com bondade e amor. “Oh, que vida infeliz e desolada, nada tenho a esperar desta vida fria e sem amor; é melhor morrer” – pensando assim, pegou uma faca e foi até a montanha próxima para morrer, mas não conseguiu se matar de modo algum. Ficou mais desolado ainda ao pensar que nem morrer conseguia. Em desespero, resolveu levar uma vida obstinada e passou novamente a praticar roubos com os maus amigos. Vendeu as roupas que roubaram e, quando bebia num cabaré de costume, foi novamente algemado e preso. Posteriormente, foi trabalhar na construção civil da província de Fukui, mas formou uma quadrilha com cinco companheiros e assaltou um banco. Participou desse assalto com sentimento exacerbado de matar dois ou três se fosse preciso, mas, por sorte, só roubou dinheiro e, três dias depois, voltou para Kanazawa e foi beber no cabaré de sempre, onde foi novamente preso.

Bem nessa época, o preletor Niro Hattori passou por essa região em viagem de palestras, e Kumio esteve presente numa das palestras. Aprendeu nessa ocasião a se reconciliar com todas as coisas do céu e da terra, e, quando percebeu que vivera até então de modo totalmente errado, olhou para a foto do mestre Taniguchi pendurada na parede. Misteriosamente, os olhos do Mestre pareciam vivos e, olhando para o jovem, deu-lhe um sorriso. Quando sentiu esse olhar de profundo afeto e amor, Takumi pensou “Oh, como fui mau” e desabou em choro. Sentiu, pela primeira vez, o amor verdadeiro que tanto viera buscando, mas que não conseguira encontrar até então. Subitamente, tomou consciência do fato de que sua mãe, seu pai, seus irmãos e ele são todos filhos de Deus, unidos numa só vida, e que se amam desde o início. Voltou rapidamente para casa e pediu perdão à sua mãe, do fundo do coração. Quando assim agradeceu a ela, libertou-se de todo o pesadelo e sentiu a refrescante liberdade da alma. Alcançou um estado espiritual capaz de clamar para todas as pessoas “Ó, meus irmãos, partes da minha Vida!”.

Kumio não gostava de animais, mas, quando atingiu esse estado de espírito, um touro muito violento, que não se acostumava com as pessoas, começou a se aproximar dele, esfregando nele o focinho.

Quando a mente se transforma, tudo se transforma ao redor da pessoa. A mãe ficou mais carinhosa, e o touro também se afeiçoou a ele. Kumio abraçou o pescoço do touro e chorou. Até então, detestava gatos, e os gatos também o detestavam  e viviam fugindo dele. Mas, nesse dia, um gato subiu no colo dele e ficou a ronronar. Ele abraçou o gato e chorou pensando “Este gato também me amava, mas eu o mantinha longe de mim por não confiar nele. Sinto muito”.

Ele deveria ir para a penitenciária no dia 20 de março, mas pediu autorização para ir à Academia de Treinamento Espiritual da Seicho-No-Ie e foi atendido de bom grado. Hoje, ele vive com alegria na penitenciária, sentindo que é sua missão transmitir os ensinamentos da Seicho-No-Ie aos presos sedentos de amor, como fizeram Starr Daily e Lifer, pregando o Evangelho aos detentos.

Viver curando

Quem ama não abandona friamente as pessoas, mas procura curá-las. Amar é viver como um grande santo. Um olhar amoroso dá vida a todos. Para um grande santo, o mal não é verdadeiramente um mal. Ele só vê o bem; não enxerga o mal. Ele vive cercado de gratidão das pessoas que foram curadas. Para um grande santo, queixas, insatisfação, críticas insensatas são iguais a vozes de crianças pedindo doces e leite. Assim como um pai pega carinhosamente no colo o pequeno filho que o ataca com socos, um lamento desesperado de uma alma imatura nada significa para um grande santo. Ele não abandona friamente um ser imaturo. Ensina-lhe o modo correto de viver e o orienta. Mesmo que uma criança lhe peça doces, não lhe dá indiscriminadamente. Dá-lhe arroz, que é mais nutritivo, no momento certo e em quantidade adequada. Pode ser que um santo não atenda aos pedidos de um pessoa comum. Isso pode dar a impressão de que ele a está abandonando, mas isso não é verdade. Ele está observando seu crescimento, com amor caloroso, mas severo.

Deus é Amor perfeito. Deus não cria nada que é mal. O mundo de Deus é perfeito e harmonioso. Quando Deus observa o mundo, nele jamais vê o mal. O mundo que Deus vê é extremamente belo e bom, mas é impuro o mundo visto pelo homem carnal. Se alguém acha que existem pessoas que sofrem, não significa que Deus não as salvou. Isso nada mais é que reflexo do pensamento desse alguém que acha que as pessoas sofrem. Ele pode enxergar uma sociedade imperfeita, mas a sociedade vista pelos olhos amorosos de Deus já é perfeita. Isto porque Deus é perfeito e é o todo de tudo. O Amor dEle é completo.

Quando se observa a sociedade com olhos sem amor, ou com olhar de falso amor, parece que é impura. Amar é ser atencioso com o outro. Quando se ama, é possível manifestar aqui, agora, toda a força vital que se possui. Fluirá naturalmente a força, sem qualquer esforço. Serão realizados espontaneamente atos de amor ao próximo. Quem ama o próximo abnegadamente chora muitas vezes com o sofrimento alheio. É como se chorasse assistindo a uma bela peça teatral. Mesmo ciente de que é uma encenação, a pessoa chora. A emoção lava e purifica a mente humana. Nem sempre a pessoa chora porque está sofrendo ou angustiada. Lágrimas verdadeiras são iguais a sorriso verdadeiro.

Um santo observa os homens com olhar de profundo amor, mesmo que seu corpo seja queimado pelo fogo da guerra. Um olhar de profundo amor não transforma objetivamente os indivíduos e a sociedade. Mas somente enxerga essa mudança a pessoa cujo olhar se transformou e se tornou profundamente amoroso. Deus não impõe ao homem o bem nem o mal. O bem deve ser descoberto por si mesmo.


Da revista Shirohato (Pomba Branca), nº 887, 7/08, pp. 30-37 (Trechos do livro Para Realizar o Amor e a Oração)


- A felicidade de outra pessoa é a nossa alegria, e o sucesso dela nos deixa felizes como se fosse nosso próprio sucesso.
- Não se encontra a felicidade onde as pessoas se criticam, apontando o mal reciprocamente.

- Nem sempre a pessoa chora porque está sofrendo ou angustiada. Lágrimas verdadeiras são iguais a sorriso verdadeiro.