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14/11/2008
A Sabedoria Latente Divina do Ser Humano


Este mundo é repleto de sabedoria, amor, Vida, provisão e harmonia de Deus. Nós, que nascemos neste mundo de Deus, somos todos filhos de Deus. Portanto, somos originalmente repletos de saúde e recebemos do Pai tudo o que nos é necessário. Existem pessoas que não acreditam nisso e contestam: “Mas o fato é que sofrimentos e doenças existem, e podemos presenciá-los”. Dizem também que, muitas vezes, vêem infortúnios e desgraças diante de si; e que a pobreza as atormenta realmente, sob a forma de cobradores impiedosos. Tais pessoas argumentam: “Vocês recomendam pensar que existe um mundo perfeito e harmonioso aqui e agora, que somos saudáveis e prósperos desde o princípio, mas é impossível pensar desse modo”. Que tipo de mentalização devemos fazer quando não conseguimos crer na perfeição original? Devemos mentalizar ou pronunciar energicamente as seguintes palavras: “Não admito a existência desta doença (ou outros infortúnios). Eu o expulso do meu mundo, e ele deixa de existir”. Suponhamos que você, neste momento, esteja com dor de dente; mesmo que tente afirmar mentalmente que não está com dor de dente, acha que está mentindo e não consegue sentir realmente que a dor não existe. Nesse caso, o que você deve fazer? Poderá mentalizar ou proferir categoricamente as seguintes palavras: “Não admito a existência da dor de dente. Agora, a dor de dente deixa de existir”. Essa, porém, é uma “maneira dualística” de admitir o bem, porque, em primeiro lugar, reconhece a existência do mal (“Estou com dor de dente”) e só então tenta-se negá-la. O verdadeiro despertar é aquele em que, mesmo no auge da dor, consegue-se compreender que ela não existe. Pensar em sanar a dor de dente depois de reconhecer a sua existência é uma postura mental dualística. Quando a pessoa não consegue abandonar a visão de mundo segundo a qual o bem e o mal se confrontam incessantemente, recorre à “maneira dualística” de admitir o bem que consiste em reconhecer primeiro o mal ou a dor e depois procurar expulsá-los.

Muitas vezes, é possível sentir o sofrimento abrandar quando se procura trazê-lo à tona e expulsá-lo expressando-o verbalmente. No verão, muitas pessoas se queixam: “Ufa! Que calor!”. Se eles afirmassem que o “tempo está agradável” em vez de reclamar tanto do calor, talvez se sentissem melhor. Mas, às vezes, dizer repetidamente “Que calor! Que calor!” é um instinto natural de afastar o calor. Se bem que as pessoas ao redor podem incomodar-se ao ouvir essas queixas, pois, influenciadas pelo poder da palavra, sentem mais calor, enquanto o próprio queixoso se sente um pouco aliviado. O carma do pensamento apaga-se após manifestar-se concretamente. Assim, o carma do pensamento “Que calor!” se desfaz ao ser manifestado verbalmente. É como tirar algo quente e deixar esfriar. Por outro lado, pode-se também repetir a afirmação de que o “tempo está agradável”, o que terá o mesmo resultado de jogar água fria em algo quente. Pelo fato de ser mais eficaz, a Seicho-No-Ie prefere esse método. Dizer “Que calor!” quando sente calor é como deixar escapar o vapor e contribuir para diminuir a sensação de calor. Portanto, agir assim não é ruim para a própria pessoa. Mas o poder da palavra influi nas pessoas ao redor e, às vezes, cria situações complicadas que trazem resultados ruins. A “fórmula” da Seicho-No-Ie consiste no seguinte: mesmo no calor, não dizer que está calor e afirmar que o tempo está agradável e, desse modo, mudar a disposição de espírito. Com isso, pode-se sentir realmente uma sensação agradável. Em suma, trata-se de eliminar da mente a idéia de “calor escaldante”. Ou seja, é direcionar a mente para o pensamento iluminador. Mesmo nas horas sombrias, devemos afirmar que vemos a claridade, e mesmo sentindo dor, devemos dizer que sentimo-nos bem, para mudar o estado mental com o poder da palavra. Com isso, a sensação sombria acaba dando lugar à boa disposição, e a dor é substituída pela sensação agradável.

Do livro Kōfuku no Genri (ainda não editado em português; tít. prov.: Princípio Básico da Felicidade), pp. 126-129

 


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